Perdas nas safras brasileira e argentina fazem preço subir
28/1/2009 16:26:49



As perdas na safra 2008/2009 de grãos no Brasil e Argentina, considerados dois dos principais "celeiros" do mundo, já podem ter ultrapassado a marca de 25 milhões de toneladas em razão de problemas climáticos e da redução no uso de tecnologia no campo. O longo período de estiagem fez com a Argentina decretasse nesta semana estado de emergência agropecuária em todo o país, a exemplo do que já ocorre em centenas de cidades brasileiras. As culturas mais prejudicadas são também as de maior relevância econômica: soja, milho e trigo.

Ante esse cenário, e impulsionada por uma demanda que não foi impactada pela crise financeira, a cotação das principais commodities agrícolas já registra alta acima dos dois dígitos no acumulado de janeiro, sinalizando que o setor pode ser o primeiro a se recuperar do cenário de desaceleração econômica. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, que aponta os preços pagos aos produtores, no acumulado do mês a cotação da soja obteve variação próxima de 10%, sendo comercializada a US$ 21,53 a saca (R$ 50,13 no mercado interno, posto Paraná); para o milho, o indicador ESALQ/BM&Fbovespa registra variação de 14,09% e comercialização da ordem de US$ 10,40 (R$ 24,02 no mercado interno). Para o trigo, os ganhos são ainda maiores e ultrapassam 15%, sendo possível verificar negócios de R$ 550 por tonelada no mercado interno.

"Os preços voltaram a ter boa reação, aumentando o interesse de parte dos produtores por vendas antecipadas", afirmou a respeito do mercado de soja Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O Indicador do grão fechou com alta de 1,05% entre 19 e 26 de janeiro "Esse patamar não era observado desde julho de 2008", destacou.

Cerca de três meses após os primeiros efeitos climáticos negativos nas lavouras brasileiras a agroindústria começa a fazer os primeiros repasses da alta para o consumidor final. O último Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) teve alta de 0,40%, pressionado pela aceleração de preços nos produtos alimentícios. Os alimentos subiram 0,72% em janeiro, ante 0,34% em dezembro, pressionados pelos produtos in natura, cuja oferta depende de fatores climáticos.

Para analistas, a paridade de exportação deverá elevar ainda mais a cotação dessas commodities nas próximas semanas. No caso do trigo, moinhos que estiveram abastecidos durante todo o segundo semestre de 2008 terão agora que voltar as compras sem contar com a oferta do produto argentino. "Terá que ser importado pelo menos 1 milhão do Hesmifério Norte que passará a balizar os preços internos", avaliou Élcio Bento, analista de Safras & Mercado.

No setor de oleaginosas, principalmente no que se refere ao cultivo de soja, o Brasil deverá suprir mercados deixados pela Argentina, que já perdeu mais de 400 mil hectares de área plantada por conta da seca.

Em relação ao milho, o País também poderá voltar a registrar grandes volumes exportáveis já que para essa cultura a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina estima uma redução de área de 4,04 milhões de hectares para 3,26 milhões, perda que também é atribuída à seca que afeta o país, a pior dos últimos 70 anos.

Segundo entidades agrícolas do país, os prejuízos podem chegar a 20 milhões de toneladas de grãos e de acordo com cálculos das Confederações Rurais da Argentina a perda financeira pode ultrapassar os US$ 7,5 bilhões.

Na tentativa de minimizar a situação dos produtores, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, além de declarar estado de emergência, prorrogou em um ano o prazo para pagamento de impostos para os agricultores afetados pela seca.

Ontem, a Comissão Nacional de Emergência Agropecuária e governo local se reuniram na tentativa de solucionar os casos das províncias de Entre Ríos, Chaco, Santiago del Estero, Chubut y San Juan, principais regiões atingidas. Antes de deixar a reunião, Carlos Cheppi, secretário de Agricultura disse à imprensa que "muito firme no cumprimento da lei" e advertiu que estão analisando previsões metereológicas que dão conta de "um ciclo de falta de umidade que poderia se estender por mais de dois ou três meses".

Fonte: Agrolink, 28 de janeiro

 

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